Os 5 Melhores Episódios de “You’re the Worst”

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You’re the Best.

Em apenas 36 episódios, “You’re the Worst” já mostrou várias vezes o porquê de ser uma das melhores comédias da actualidade. Pérola ainda pouco vislumbrada, mas que continua a fazer chover os devidos elogios.

Um dos produtos televisivos que melhor mescla comédia e drama, tendo sofrido uma mudança bastante significativa na sua segunda (e melhor?) temporada. É nessa aproximação de polos opostos que reside o maior triunfo da série. Além da excentricidade presente na superfície, “You’re the Worst” consegue ser realista na sua abordagem a uma relação amorosa e o que a mesma implica para duas pessoas que tanto receiam o compromisso. Não precisa de recorrer à veia surrealista de “Man Seeking Woman”, outra comédia que no decorrer de três temporadas tão bem soube retratar a dinâmica nas relações amorosas contemporâneas.

Por entre os recorrentes “Sunday Funday”, a série já demonstrou vontade em experimentar nos seus curtos vinte minutos. Os que se seguem fizeram por merecer lugar na memória. E quanto ao leitor desse lado, quais os episódios preferidos?

A quarta temporada estreia hoje e promete trazer consigo um novo rumo para a série.

Os textos que se seguem contêm SPOILERS

“The Inherent, Unsullied Qualitative Value of Anything”: Incompatibilidade

Temporada: 3
Episódio: 11

Ainda que tenha ficado um pouco abaixo da qualidade demonstrada no ano anterior, a terceira temporada não foi parca em episódios memoráveis. Houve espaço para um episódio que colocou o espectador na mente de um indivíduo com stress pós-traumático. Um outro que tenta humanizar Paul (Allan McLeod) e Vernon (Todd Robert Anderson), dando-lhes total tempo de antena ao rejeitar o quarteto principal. Esse que me parece não funcionar como o idealizado. Vinte minutos não chegam para construir uma empatia totalmente inexistente até então. Chegados a este 11.º episódio, o experimentalismo é de teor mais técnico, o qual já aqui tive oportunidade de abordar.

Jimmy: I can’t see having kids with her.

Gretchen: I’m afraid you’ll never be successful.

A troca de palavras entre o casal é duro pressionar da realidade. Dito e irrecuperável.

“You Knew It Was a Snake”: Não há espaço para dois

Temporada: 3
Episódio: 12

Depois das palavras trocadas no episódio anterior, o casal protagonista caminho no limbo. Personagens que se desconstroem diante umas das outras. Deixa de haver espaço para a cegueira que os toldava. A certa altura, Gretchen diz não haver espaço para dois danificados no seio daquela relação. É com tamanha frontalidade que se abordam a dinâmica das relações em “You’re the Worst”. O penúltimo episódio da temporada coloca todos os casais num mesmo espaço, sendo a série tão exímia nesse reduzir do espaço para o decorrer da acção. Caídas as máscaras. Assim decorrem meros vinte minutos.

Louvo a opção da série em desenrolar a quebra do casal por entre quatro episódios. Não sendo imediata, integra o dia-a-dia destes. Fissura gradual que demonstra dois seres que tanto cresceram desde o primeiríssimo episódio.

“There Is Not Currently a Problem”: Aquele que tudo muda

Temporada: 2
Episódio: 7

À semelhança do episódio que o antecede neste top, a acção de “There Is Not Currently a Problem” decorre na íntegra no interior do apartamento. Não por opção, mas por as personagens se verem impossibilitadas de o abandonar. É nos meandros de tamanho cenário “claustrofóbico” que a doença de Gretchen se faz ouvir em todo o seu esplendor. Coloca o seu lado negro diante de todos os outros pela primeira vez, numa das melhores cenas alguma vez concebidas por “You’re the Worst”. Usa a depressão como veículo para apontar os podres de cada um dos seus compatriotas do miserável. Aya Cash a ilustrar-se como dona da incontestável melhor interpretação presente na série.

O 17.º episódio eleva “You’re the Worst” a um outro patamar de qualidade. Entrega aquilo pelo qual tanto ansiava quando me decidi a aventurar pela série. Foi com promessas de um tom bem mais pessimista na segunda temporada, que me decidi a dar-lhe uma oportunidade. Ainda que a dose de comédia excêntrica se encontre a um nível saudável, é na abordagem da depressão clínica que a série se eleva à excelência. Tema que muito me fascina e que merece o devido enquadrar no panorama televisivo.

“Twenty-Two”: Ode à menos narcisista das personagens

Temporada: 3
Episódio: 5

aqui o destaquei como um dos melhores episódios de 2016. Já aqui o celebrei como tal. Pouco mais há a acrescentar. Se Edgar (Desmin Borges) fora até então um indivíduo que pouco ou nada me dizia, tal veio a mudar neste episódio. “Twenty-Two” é exímio na forma como coloca o espectador na pele deste veterano de guerra. Coloca Edgar no limbo, dando tempo de antena às fragilidades ignoradas por quem lhe é mais próximo. O episódio mais sensorial de “You’re the Worst”, feito à imagem da desorientação sentida pelo seu momentâneo protagonista.

“LCD Soundsystem”: Janela Indiscreta

Temporada: 2
Episódio: 9

Olhar de fora. Jimmy faria semelhante na terceira temporada, no seu caso um olhar para si próprio. “LCD Soundsystem” coloca Gretchen como voyeur do que poderia ter sido, de uma alternativa à sua condição actual. Esperança de incorrer no adulto sem que tal signifique a morte do ser. Escrita muitíssimo cuidada que cria nestes estranhos um paralelo para os hipotéticos Jimmy e Gretchen num passo dado à frente. Gretchen encarna uma vida alheia por momentos, sendo-lhe janela efémera para algo mais. A nível pessoal, Gretchen será sempre a personagem que mais me cativa. Ainda que desprezível (não o são todos com excepção para Edgar?), Gretch demonstra diante de nós uma fragilidade que é contrabalanço saudável. Fruto da doença, é certo, mas que lhe dá uma aura de tristeza patente na postura. O plano final que enquadra o seu rosto em tentativa de abafar o choro, é exemplo perfeito da honestidade conseguida por uma série que tantas vezes se fica pelo excêntrico e idiota.

“LCD Soundsystem” é banda-sonora para outros.